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Como usar os gêneros digitais em sala de aula
15/06/2018 - 11h34 em Tecnologia

Salvarébora Garof Já parou para pensar como a tecnologia vem mudando a forma que interagimos com as coisas e também com as pessoas? Essas mudanças provocaram alterações também na linguagem, transformando gêneros textuais existentes em gêneros digitais.

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Os gêneros textuais são incontáveis e adaptáveis a diferentes realidades e situações comunicativas. Com a acessibilidade e facilidade da internet criaram-se novos gêneros e outros assumiram diferentes formas, comprovando que estão a serviço das necessidades reais de seu tempo – modificando a relação entre leitor e autor.

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Se antes enviávamos cartas, nós as substituímos por e-mails e hoje por mensagens instantâneas como WhatAppMessenger ou Telegram. Embora os meios tenham sido transformados, a estrutura de comunicação e a forma com a qual nos expressamos continuam seguindo parâmetros que estabelecem uma relação dialógica com formas textuais preexistentes.

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Ao escrever uma mensagem instantânea, temos a estrutura textual em mente: iniciamos com uma pergunta sobre a pessoa (Oi, tudo bem?) e finalizamos com uma despedida (Beijos), respeitando tipologias ou gêneros e níveis de linguagem. Esses novos gêneros têm influenciando as práticas de leitura e escrita digitais, causando um grande impacto na comunicação e trazendo dinamismo à comunicação digital.

Como a BNCC prevê a utilização dos gêneros digitais
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trata a tecnologia como uma competência que deve atravessar todo o currículo de forma a privilegiar as interações multimidiáticas e multimodais, proporcionando uma intervenção social, de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolvendo problemas.

A referência geral é que, em cada ano de ensino, o professor deve contemplar gêneros que lidam com informação, opinião e apreciação, gêneros multissemióticos e hipermidiáticos, próprios da cultura digital e das culturas juvenis. As formas também são diversas, como ações e funções que podem fazer parte de atividades de uso e reflexão: curar, seguir/ser seguido, curtir, comentar, compartilhar, remixar entre outros.  

Como reconhecer um gênero digital
Os gêneros digitais podem ser grandes ferramentas educacionais para o processo de ensino e aprendizagem. Os gêneros possibilitam interação, através do estudo desses enunciados e contato com condições e finalidades específicas, não apenas do currículo, mas também pelo estilo de linguagem. Isso faz com que não apenas a disciplina de Língua Portuguesa seja privilegiada, mas sim todas as áreas do conhecimento. As características dos gêneros digitais são:

 

O que muda com os gêneros digitais
A comunicação, o diálogo em si passam por uma mudança. As redes sociais estão repletas de gêneros, sendo que o mais comum é o post. Este pode ser marcado por linguagem informal ou formal, dependendo de seu objetivo, tendo, inclusive, alguns emoticons que compensam a ausência da entonação e facilitam a comunicação verbal e nossa interação.

Redes sociais      Foto: Getty Images

Uso dos gêneros digitais na sala de aula
Os gêneros digitais diminuem a distância entre o professor e os alunos, permitindo que novas práticas e atividades sejam desenvolvidas para aguçar a leitura e a escrita. Por consequência, temos uma ampliação de formas comunicativas que, devido a sua estrutura, podem variar de acordo com o histórico social e campo tecnológico. Os gêneros digitais, portanto, podem ser variáveis, versáteis e transmutáveis, estando em constante evolução.

Função dos gêneros digitais

 

Gama dos gêneros digitais
Com a nova configuração dos gêneros, teremos muitas mudanças, principalmente nos livros didáticos, que estarão sofrendo alterações, para atender e mesclar a cultura juvenil e incorporar os gêneros digitais, sem perder sua importância e essência na aprendizagem.

Reunimos aqui alguns dos gêneros digitais para inspirar você no trabalho em sala de aula. Além de utilizar o computador, muitos podem ser produzidos com o auxilio de celular e tablets. Vamos lá?

Vlogs. Um  blog em que os conteúdos predominantes são os vídeos. A grande diferença entre um vlog e um blog está no formato da publicação: em lugar de publicar textos e imagens, o vlogger ou vlogueiro faz um vídeo sobre o assunto do qual quer tratar. O site que os internautas mais utilizam para publicar os seus vídeos é o YouTube. Para isso, o vlogger precisa criar um canal no site, que funcionará como um vlog para seus vídeos. No entanto, existem outras inúmeras plataformas destinadas a este conceito de "página pessoal", muitas gratuitas.

Meme. O termo remete ao humor e é bastante conhecido e utilizado no "mundo da internet", referindo-se ao fenômeno de "viralização" de uma informação. Qualquer vídeo, imagem, frase, ideia, música que se espalhe entre vários usuários rapidamente, alcançando muita popularidade, se enquadra na definição de viralização. O meme pode ser um instrumento muito poderoso para falar sobre um assunto, podendo ser produzido pelos alunos para abordar um tema.

Podcasts. É como um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem é o conteúdo direcionado. Você pode ouvir o que quiser, na hora que bem entender. Basta acessar e clicar no Play ou baixar o episódio. Você pode explorar esse gênero em diversas áreas do conhecimento, ao colocar o aluno no centro do processo aprendizagem para produzir um conteúdo ou agrupar os alunos para que criem seus podcasts em conjunto.

Gifs. É um formato de imagem de mapa de bits muito usado na world wide web para imagens fixas e criar animações. Você pode produzir gifs com seus alunos utilizando, por exemplo, o Scratch, que é um software livre de linguagem de programação por blocos, fácil e interativo.

Chats. Um bate papo em tempo real, conhecido pelas redes sociais. Um dos mais famosos é o TweetChat, no qual é possível produzir minicontos ou emitir diversas opiniões, com um limite de 280 caracteres.

E você, querido professor, como está trabalhando os gêneros digitais em sala de aula? Conte aqui nos comentários, colaborando com novas práticas docentes.

Um abraço,

 Débora Garofalo é professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de Tecnologias para o site da Nova Escola. 

 

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